Maria Firmina dos Reis

por - setembro 22, 2018





A primeira romancista da América Latina era negra e nordestina num tempo de extrema segregação racial e social, se chamava: Maria Firmina dos Reis.
Primeiramente, vale salientar que não há registro oficial da estimada escritora. Foram várias as tentativas de ilustra-la, muitas dessas com estereótipos rudes.
Além disso, sua bibliografia está em reestudo nos últimos anos. Prova disso é a antiga afirmação de que sua mãe era branca, talvez com o propósito de descaracteriza-la como negra para suprir os padrões do século XIX e sequentes. Todavia, os novos estudos apontam que sua mãe, Leonor Felippa dos Reis, era mulata e seu pai, de nome desconhecido, negro.
Nascida em 1822 (segundo alguns registros documentais foi batizada em 1825) em São Luís do Maranhão, Maria Firmina dos Reis escreveu em 1859 seu primeiro romance: “Úrsula”. A inovação? Uma crítica ao regime escravocrata na essência de um romance abolicionista redigido por mãos negras. Mais tarde, em 1887, publicou “A Escrava” com uma crítica ainda mais fervorosa à injustiça da escravidão.
Ademais, foi professora de reconhecido magistério, contribui para inúmeros jornais da época.
Esquecida por décadas, “Úrsula” foi recuperada em 1962 pelo historiador paraibano Horácio de Almeida, num sebo carioca. Recentemente, sua obra pioneira está presente nas leituras obrigatórias para o Vestibular de 2019 da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e contou com seminários da instituição.



Escultura baseada em retrato falado.





Fontes: 

ZIN, Rafael Balseiro. Maria Firmina dos Reis: a trajetória intelectual de uma escritora afrodescendente no Brasil oitocentista. 2016. 100 f. Dissertação (Mestrado em Ciências Sociais) – Faculdade de Ciências Sociais. Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, São Paulo, 2016.


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