Maria Firmina dos Reis
A primeira romancista da América
Latina era negra e nordestina num tempo de extrema segregação racial e social,
se chamava: Maria Firmina dos Reis.
Primeiramente, vale salientar que
não há registro oficial da estimada escritora. Foram várias as tentativas de ilustra-la,
muitas dessas com estereótipos rudes.
Além disso, sua bibliografia está
em reestudo nos últimos anos. Prova disso é a antiga afirmação de que sua mãe
era branca, talvez com o propósito de descaracteriza-la como negra para suprir
os padrões do século XIX e sequentes. Todavia, os novos estudos apontam que
sua mãe, Leonor Felippa dos Reis, era mulata e seu pai, de nome desconhecido,
negro.
Nascida em 1822 (segundo alguns registros
documentais foi batizada em 1825) em São Luís do Maranhão, Maria Firmina dos
Reis escreveu em 1859 seu primeiro romance: “Úrsula”. A inovação? Uma crítica
ao regime escravocrata na essência de um romance abolicionista redigido por
mãos negras. Mais tarde, em 1887, publicou “A Escrava” com uma crítica ainda
mais fervorosa à injustiça da escravidão.
Ademais, foi professora de
reconhecido magistério, contribui para inúmeros jornais da época.
Esquecida por décadas, “Úrsula” foi
recuperada em 1962 pelo historiador paraibano Horácio de Almeida, num sebo
carioca. Recentemente, sua obra pioneira está presente nas leituras obrigatórias
para o Vestibular de 2019 da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS)
e contou com seminários da instituição.
Escultura baseada em retrato falado.
Fontes:
ZIN,
Rafael Balseiro. Maria Firmina dos Reis:
a trajetória intelectual de uma escritora afrodescendente no Brasil
oitocentista. 2016. 100 f. Dissertação (Mestrado em Ciências Sociais) –
Faculdade de Ciências Sociais. Pontifícia Universidade Católica de São Paulo,
São Paulo, 2016.


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