Maria José de Castro Rebello Mendes

por - setembro 22, 2018



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A carreira diplomática sempre foi reconhecida pelo seu status. No Brasil, ainda que atualmente se observe uma crescente de diplomatas mulheres, a maioria dos cargos do Itamaraty permanecem ocupados por homens. Em 1918, Maria José de Castro Rebello Mendes foi aprovada em primeiro lugar no, até então vigente, concurso da Secretaria de Estado para o Ministério das Relações Exteriores, tornando-se assim a primeira diplomata brasileira. Nascida em 20 de setembro de 1891 em Salvador (BA) foi privilegiada com uma educação de qualidade no Colégio Alemão, onde conquistou fluência na língua inglesa, francesa, alemã e italiana. Após a morte de Raimundo Martins Mendes, advogado e pai de Maria, a situação financeira – até então muito dependente da figura masculina – declinou. Nessas circunstâncias, mudou-se para o Rio de Janeiro para onde dedicou-se a lecionar em aulas particulares. 
Foi então, por contato com familiares, que tomou ciência da existência do concurso para o Itamaraty. Embora tivesse conhecimento de línguas estrangeiras isso não era suficiente para a aprovação. Por assim ser, aperfeiçoou-se em diversas áreas do conhecimento como datilografia, contabilidade, economia na Escola de Comércio e autodidata nas matérias de Direito. 
Entretanto, apesar de todo seu esforço, sua inscrição foi rejeitada pelo Ministério das Relações Exteriores (MRE). Com a ajuda de familiares conseguiu apoio de Rui Barbosa que sob à luz do artigo 73 da constituição vigente – “todos os brasileiros” - insistiu na validade da inscrição de Maria Mendes. Nilo Peçanha, Ministro responsável, deferiu a inscrição, mas com os seguintes dizeres machistas:  

“Não sei se as mulheres desempenhariam com proveito a diplomacia, vide tantos atributos de discrição e competência que são exigidos(…), o que não posso é restringir ou negar o seu direito… Melhor seria, certamente, para o seu prestígio que continuassem a direção do lar, tais são os desenganos da vida pública, mas não há como recusar sua aspiração, desde que fiquem provadas suas aptidões”.

Mesmo assim, a pioneira obteve escore máximo para o cargo desejado. A mídia divergiu quanto ao assunto, ao passo que o movimento feminista liderado por Leolinda de Figueredo Daltro – também fundadora do Partido Republicano Feminino - a incentivava. Na época, nota-se o seguinte pronunciamento da Revista Feminina:

“Um bravo a D. Marietta Mendes [apelido de Maria José]… um bravo a todas as mulheres que, concisas de seu papel que deverão representar neste século, sabem desprezar a ironia sempre tola e muitas vezes idiota dos que procuram fazer espírito com o que de mais alto e mais sagrado há no seio de cada povo: o coração da mulher, o relicário de todos os heroísmos e de todas as abnegações.”

Iniciava-se assim o que parte da mídia carioca chamaria de “marcha do feminismo no Itamarati” com a aprovação posterior de 19 mulheres até que em 1938, o chanceler Osvaldo Aranha, após unificar as funções diplomáticas e consulares, proibiu a participação feminina nos concursos. Tal proibição perdurou até 1953.
Maria Mendes se casou em 1922 com outro diplomata: Henrique Pinheiro de Vasconcelos. Consequentemente, fora obrigada a se aposentar em 1934 quando seu marido se tornou conselheiro na embaixada belga. O motivo da aposentadoria? Segundo as normas administrativas era proibido que uma mulher assumisse um cargo na mesma representação que seu esposo. Morreu dois anos depois e atualmente é um símbolo feminino reconhecido do Itamaraty.



                                         



Fontes:

SCHUMAHER, Schuma; BRAZIL, Érico Vital. Dicionário Mulheres do Brasil. Rio de Janeiro, Jorge Zahar Editor, 2000.
www.itamaraty.gov.br/pt-BR/sem-categoria/14063-as-mulheres-na-diplomacia-brasileira
funag.gov.br/loja/download/861-Diplomata._Substantivo_comum_de_dois_generos.pdf
casaruibarbosa.gov.br/dados/DOC/artigos/k-n/FCRB_RejaneMagalhaes_Presenca_Feminina_no_Itamarati.pdf
asminanahistoria.wordpress.com/2015/12/01/a-primeira-diplomata-do-brasil-maria-jose-rebelo-mendes/

http://www.casaruibarbosa.gov.br/dados/DOC/artigos/k-n/FCRB_RejaneMagalhaes_Presenca_Feminina_no_Itamarati.pdf

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