Maria José de Castro Rebello Mendes
A carreira diplomática sempre foi
reconhecida pelo seu status. No Brasil, ainda que atualmente se observe uma crescente de diplomatas mulheres, a maioria dos cargos do Itamaraty permanecem ocupados por homens. Em 1918, Maria José de Castro Rebello Mendes foi aprovada
em primeiro lugar no, até então vigente, concurso da Secretaria de Estado para
o Ministério das Relações Exteriores, tornando-se assim a primeira diplomata
brasileira. Nascida em 20 de setembro de 1891 em Salvador (BA) foi privilegiada
com uma educação de qualidade no Colégio Alemão, onde conquistou fluência na
língua inglesa, francesa, alemã e italiana. Após a morte de Raimundo Martins
Mendes, advogado e pai de Maria, a situação financeira – até então muito dependente
da figura masculina – declinou. Nessas circunstâncias, mudou-se para o Rio de Janeiro
para onde dedicou-se a lecionar em aulas particulares.
Foi então, por contato com
familiares, que tomou ciência da existência do concurso para o Itamaraty. Embora
tivesse conhecimento de línguas estrangeiras isso não era suficiente para a
aprovação. Por assim ser, aperfeiçoou-se em diversas áreas do conhecimento como
datilografia, contabilidade, economia na Escola de Comércio e autodidata nas
matérias de Direito.
Entretanto, apesar de todo seu
esforço, sua inscrição foi rejeitada pelo Ministério das Relações Exteriores (MRE).
Com a ajuda de familiares conseguiu apoio de Rui Barbosa que sob à luz do
artigo 73 da constituição vigente – “todos os brasileiros” - insistiu na
validade da inscrição de Maria Mendes. Nilo Peçanha, Ministro responsável,
deferiu a inscrição, mas com os seguintes dizeres machistas:
“Não sei se as mulheres desempenhariam com proveito a diplomacia, vide tantos atributos de discrição e competência que são exigidos(…), o que não posso é restringir ou negar o seu direito… Melhor seria, certamente, para o seu prestígio que continuassem a direção do lar, tais são os desenganos da vida pública, mas não há como recusar sua aspiração, desde que fiquem provadas suas aptidões”.
Mesmo assim, a pioneira obteve
escore máximo para o cargo desejado. A mídia divergiu quanto ao assunto, ao
passo que o movimento feminista liderado por Leolinda de Figueredo Daltro –
também fundadora do Partido Republicano Feminino - a incentivava. Na época, nota-se
o seguinte pronunciamento da Revista Feminina:
“Um bravo a D. Marietta Mendes
[apelido de Maria José]… um bravo a todas as mulheres que, concisas de seu
papel que deverão representar neste século, sabem desprezar a ironia sempre
tola e muitas vezes idiota dos que procuram fazer espírito com o que de mais
alto e mais sagrado há no seio de cada povo: o coração da mulher, o relicário
de todos os heroísmos e de todas as abnegações.”
Iniciava-se assim o que parte da
mídia carioca chamaria de “marcha do feminismo no Itamarati” com a aprovação
posterior de 19 mulheres até que em 1938, o chanceler Osvaldo Aranha, após
unificar as funções diplomáticas e consulares, proibiu a participação feminina nos
concursos. Tal proibição perdurou até 1953.
Maria Mendes se casou em 1922 com
outro diplomata: Henrique Pinheiro de Vasconcelos. Consequentemente, fora
obrigada a se aposentar em 1934 quando seu marido se tornou conselheiro na
embaixada belga. O motivo da aposentadoria? Segundo as normas administrativas era
proibido que uma mulher assumisse um cargo na mesma representação que seu
esposo. Morreu dois anos depois e atualmente é um símbolo feminino reconhecido do
Itamaraty.
Fontes:
SCHUMAHER,
Schuma; BRAZIL, Érico Vital. Dicionário Mulheres do Brasil. Rio de Janeiro,
Jorge Zahar Editor, 2000.
www.itamaraty.gov.br/pt-BR/sem-categoria/14063-as-mulheres-na-diplomacia-brasileira
funag.gov.br/loja/download/861-Diplomata._Substantivo_comum_de_dois_generos.pdf
casaruibarbosa.gov.br/dados/DOC/artigos/k-n/FCRB_RejaneMagalhaes_Presenca_Feminina_no_Itamarati.pdf
asminanahistoria.wordpress.com/2015/12/01/a-primeira-diplomata-do-brasil-maria-jose-rebelo-mendes/
www.itamaraty.gov.br/pt-BR/sem-categoria/14063-as-mulheres-na-diplomacia-brasileira
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casaruibarbosa.gov.br/dados/DOC/artigos/k-n/FCRB_RejaneMagalhaes_Presenca_Feminina_no_Itamarati.pdf
asminanahistoria.wordpress.com/2015/12/01/a-primeira-diplomata-do-brasil-maria-jose-rebelo-mendes/
http://www.casaruibarbosa.gov.br/dados/DOC/artigos/k-n/FCRB_RejaneMagalhaes_Presenca_Feminina_no_Itamarati.pdf



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